a era “pós-PCs”: qual, mesmo?

artigo de maribel lopez na forbes tenta explicar porque a informática pós-PCs, quando estiver toda aqui, será diferente da que temos hoje. os quatro pontos de lopez [na minha tradução livre e explicações próprias] são: 1.computação deixa de ser destino [não é preciso "ir" a um PC para ter computação e comunicação] ; 2. a nuvem [de serviços] habilita mobilidade de fato [pois o "smart" na sua mão tende a se tornar um browser]; 3. a era pós-PCs acelera a destruição criativa da indústria de software [que tem que se redefinir para o novo contexto] e 4. contexto passa a ser chave para novos serviços, pois o “usuário” é bem mais do que um login [passa a ser o lugar onde está, o clima por lá, outros usuários ao redor, o prédio por onde está passando...].

só que as mudanças são estruturais e bem mais profundas do que lopez aponta. e dá para explicar toda a [r]evolução da informática nas últimas e próximas décadas usando referenciais sociais e não técnicos, o que torna o cenário bem mais fácil de entender e o deixa independente de coisas como “PC”, “smart” ou “nuvem”.

comece por assumir que há três referenciais nas transações entre pessoas,empresas e coisas: quando se trata com empresas, pode-se usar o balcão como referencial. as próprias pessoas são um referencial. e as coisas, o outro.

olhando para as empresas [ou instituições, de forma mais geral] a informática de que fazemos uso quando nos relacionamos com elas pode estar do lado de lá do  balcão, o que se dá quando a pessoa que nos atende não faz uso de informática. ela pode tomar notas num formulário e depois, talvez, usar alguma informática para capturar e processar tais dados. a informática pode estar no balcão [pense nos caixas de banco e supermercados...] e, por fim, pode estar do lado de cá do balcão. porque o PC do executivo e secretária são instâncias desta “geração” da informática, assim como o ATM [o caixa eletrônico] e o PC nas casas, conectado à internet: ele é a frente, o “meu” terminal de um grande sistema de informação em rede [a internet], que habilita o uso, no meu PC, de funções que são externas a ele.

http://terramagazine.terra.com.br/silviomeira/blog/2012/05/04/a-era-ps-pcs-qual-mesmo/

Deserto chileno é testado para futuras viagens a Marte

O Deserto do Atacama se transformou nos últimos anos num laboratório de testes para futuras viagens em busca de vida microscópica em Marte e na Lua, planetas que têm uma paisagem parecida com a árida e inóspita região norte do Chile.

No Atacama foram feitos testes com robôs que podem caminhar em superfícies extraterrestres, são realizadas pesquisas para detectar a existência de microorganismos e foram projetados centros operacionais para apoiar atividades espaciais.

Um dos projetos mais atrativos é a estação de pesquisa Moon Mars Atacama Research Stations (MMARS), que ainda não tem data definida para ser construída.

Impulsionado pela Universidade de Antofagasta, no Chile, a MMARS terá uma estação base e um ambiente de simulação de ambientes extraterrestres. No futuro, a ideia é transformar o local num centro de referência para pesquisas de instituições internacionais.

O centro funcionará na Estação Yungay, a cerca de 80 quilômetros de Antofagasta e 1.300 quilômetros de Santiago, numa propriedade que o governo ofereceu em março em regime de concessão.

“Agora é tempo de conseguir parceiros e investimentos. Temos o local e é preciso começar a levantar os alicerces”, disse à Agência Efe Carlos Riquelme, vice-reitor da Universidade de Antofagasta.

Ao lado da MMARS será construída a Plataforma Solar do Deserto do Atacama (PSDA), que permitirá desenvolver projetos relacionados à concentração solar num lugar com elevada radiação.

A ideia é imitar a plataforma solar que o Centro de Pesquisas Energéticas, Ambientais e Tecnológicas (Ciemat) tem em Almería, na Espanha.

A MMARS poderá servir de base de pesquisas como a realizada por cientistas chilenos e espanhóis para detectar microorganismos que vivem em condições extremas (extremófilos).

A equipe realizou uma perfuração num lago de sal, analisou amostras de rocha e encontrou bactérias e arquéias (microorganismos primitivos) que vivem sem luz solar e oxigênio.

Os resultados da pesquisa, realizada pelo Centro de Biotecnologia da Universidade Católica do Norte, no Chile, e o Centro Superior de Pesquisas Científicas (CSIC) da Espanha, foram publicados em 2011.

O estudo utilizou um instrumento, chamado Signs of Life Detector (SOLID), equipado com um biochip que contém 450 anticorpos para identificar material biológico e que poderia ser empregado para detectar vestígios de vida na superfície de Marte.

“Atualmente estamos trabalhando em colaboração com grupos da Nasa para demonstrar a utilidade do SOLID em futuras missões em Marte”, explicou à Agência Efe Víctor Parro, pesquisador do CSIC.

O cientista espanhol admite que devido à atual situação econômica dos Estados Unidos e da Europa não estão previstas missões importantes para Marte, mas é “preciso estar preparado para quando as oportunidades surgirem”.

O SOLID poderia ser acoplado a algum dos robôs que vem realizando testes no escarpado solo do Atacama há mais de 15 anos.

Em 1997, a Nasa e a Universidade Carnegie Mellon dos Estados Unidos testaram durante quarenta dias o robô Nomad, que tinha como objetivo buscar água, gelo e minerais na região, o que seria feito posteriormente numa expedição para a Lua ou Marte.

A Nasa continua aperfeiçoando estes aparatos e atualmente está desenvolvendo um novo robô, dotado com um instrumento que recolhe amostras do solo de um metro de comprimento. O robô será testado no Atacama em 2013, segundo disse à agência Efe David Wettergreen, pesquisador da agência americana.

Estas iniciativas ocorrem numa zona onde se concentram grandes observatórios astronômicos, entre eles os telescópios La Silla Paranal, propriedade do Observatório Europeu Austral (ESO), e o conjunto de 66 antenas de radiotelescópio que compõem o ALMA.

Tudo isso num local ermo onde a sequidão convida a olhar para o céu claro em busca de outros planetas, onde a existência de vida é quase uma ilusão.

Publicado no
Deserto chileno é testado para futuras viagens a Marte
21/04/2012 – Terra Brasil

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