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Estudantes se preparam para o Torneio Nacional de Robótica

Equipes treinam diversas horas por dia. Já professores elogiam benefícios no aprendizado ao incluir a construção de robôs e a linguagem de programação de computadores na grade curricular.

Por Thássius Veloso

‘O mais legal de fazer um robô é aprender a construir e depois a parte de programação.’ Gabriel Oliveira Soares, de 13 anos, é estudante de Goiânia. Além das aulas tradicionais, como português e matemática, ele também encara uma maratona de aprendizados na aula de robótica do colégio. Gabriel faz parte da equipe que disputou, e foi uma das campeãs, na etapa Centro-Oeste do FLL, campeonato de robótica que utiliza peças montáveis para ensinar conceitos de engenharia e lógica.

O princípio é simples: peças de Lego que podem ser encaixadas para construir equipamentos. A fabricante dos brinquedos fornece o material especial e a plataforma educacional que permite programar a movimentação dos robôs. Parece brincadeira, mas a robótica educacional é levada a sério e dá resultado, como explica o pesquisador e professor do Departamento de Sistemas de Computação da USP em São Carlos, Fernando Osório. ‘A robótica atrai também muito essa parte de criar na criança um espírito de desafio e solução de problemas porque é extremamente física e concreta.’

Agora as equipes se preparam para o Campeonato Nacional de FLL, que vai ocorrer em Brasília entre os dias 13 e 15 de março. Serão ao todo 60 times e mais de 700 competidores participando da etapa. A estudante Isabela Pizi, de 12 anos, contou sobre a rotina de estudos de robótica em um colégio de São Caetano do Sul, na Grande São Paulo. Os pais aprovam a dedicação dos filhos. ‘Agora nas férias a gente estava treinando das 7h às 21h. São 14 horas! Acho que Carnaval também vai ser intenso, vamos até dormir na escola.’

A equipe dela tem um motivo a mais para se empolgar com o campeonato em Brasília. Os três melhores times do torneio nacional garantem vaga no World Festival que acontece nos Estados Unidos em abril. O mundial reúne os campeões de vários torneios de robótica pelo mundo.

Os professores que ensinam o assunto em sala de aula ou que estudam sua aplicação são unânimes em falar sobre os benefícios de aprendizado. Começa com a lógica de programação no colégio, mas com o passar dos anos este conhecimento pode resultar em algo maior. O gerente-executivo de Educação e Cultura do SESI, Sérgio Gotti, contou um caso de sucesso que ele acompanhou de perto. ‘A gente já teve um garoto que participou em 2004. Ele foi direcionado para uma carreira de engenharia biomédica. Hoje em dia fez doutorado em neurociência. E ele é um talento descoberto na FLL.’

As aulas de robótica dependem de peças específicas para este fim e computadores nos quais os estudantes podem programar a função dos robôs. O custo para manter um laboratório pode ser elevado, como explica o professor José Nazaré Barros Júnior, especializado em tecnologia educacional. ‘Duas maletas é o mínimo necessário para uma equipe de 12 alunos. Cada maleta que adquirimos aqui na escola custa R$ 2,9 mil. Torna-se um material de difícil acesso em função do preço.’

Os colégios particulares estão à frente das escolas públicas neste tipo de investimento. Para o professor Fernando Osório ainda faltam políticas públicas para que a robótica se torne uma realidade a todos os estudantes. Ele disse que a comunidade tecnológica cobra, mas ainda não obteve um retorno das autoridades. ‘No ensino público são iniciativas ainda locais, que estão se expandindo. Mas ainda é necessário que o poder público invista nisso e tenha uma maior ação.’

O Ministério da Educação informou que não possui programas específicos para robótica na educação básica. A reportagem da CBN também entrou em contato com o Ministério de Ciência e Tecnologia, mas a não pasta não se manifestou sobre o tema.

Fonte: CNB – Globo Radio

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